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Este ano começou com uma grande dúvida em relação aos investimentos no e-commerce. A razão é muito simples, as incertezas em relação ao futuro econômico da Europa, USA colocam nuvens negras sobre o cenário de qualquer projeção. Em relação ao e-commerce a situação não é diferente, embora amenizada pelo forte desempenho do setor nos últimos anos.

A possibilidade de uma quebra ou forte abalo da confiança dos investidores em relação ao Euro e consequentemente uma crise econômica de proporção global insere um ponto de interrogação em qualquer cenário para o e-commerce em 2021, mas devemos analisar a situação brasileira no caso do e-commerce.

Os cenários para investimentos no e-commerce

Podemos trabalhar com dois cenários distintos e antagônicos. No primeiro, teríamos uma solução para os atuais problemas europeus e o ano seria de crescimento moderado da economia em função de uma desaceleração nas economias europeias em função de ajustes necessários para a retomada do crescimento. Neste cenário, os investimentos no e-commerce em 2021 no Brasil continuariam em seu ritmo acelerado – taxa histórica de 35% ao ano no Brasil.

Portanto, se tudo der certo e o calendário Maia estiver errado em sua previsão do fim do mundo em 2012, teremos um final de ano de comemoração como tem ocorrido a 8 anos consecutivos de crescimento no e-commerce nacional. O segundo cenário, a crise europeia se agravaria e uma recessão global se instalaria. Nesse caso, é de se esperar uma retração do mercado em função das incertezas o que acarretaria o engavetamento dos projetos de e-commerce em andamento. É um cenário que preocupa, mas um velho conhecido do comércio eletrônico brasileiro. Os investimentos no e-commerce passaram por um momento desse recentemente e não se sairam mal.

As crises e seus reflexos nos investimentos no e-commerce

As crises econômicas já são conhecidas do comércio eletrônico nacional. Em 2013, mesmo diante da forte crise gerada pela quebradeira bancária iniciada em outubro de 2008, o e-commerce nacional saiu-se muito bem com uma taxa de crescimento de 30% com um faturamento de R$ 13,6 bilhões. A grande vantagem do e-commerce brasileiro é que ele ainda é incipiente e por isso seu crescimento tende a sofrer menos nessas situações. Em 2014 vimos uma retração do mercado no primeiro semestre, mas seguida de uma forte retomada no semestre seguinte. Uma das características da economia digital é sua forte capacidade de recuperação. Como os investimentos no setor, com exceção da capacitação de pessoal, não dependem de um prazo de maturação muito grande, a resposta é muito rápida. Foi o que vimos em 2014 e certamente veremos em 2021 no caso de uma crise vir a se instalar.

Uma outra vacina do e-commerce nacional é sua forte concentração no mercado interno o que nos daria uma certa blindagem em relação a retração do mercado internacional. O impacto sobre os investimentos no e-commerce não seria tão grande principalmente para as lojas virtuais com foco nas classes C e D que ainda contam com uma demanda reprimida muito grande e acesso fácil ao crédito via cartões e outros mecanismos de financiamento pessoal.

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